Entre setembro e outubro de 2026, as quatro grandes semanas de moda do mundo — Nova York, Londres, Milão e Paris — apresentaram as coleções pensadas para a primavera e o verão de 2027 do hemisfério norte. É desse calendário que saem as tendências que vão circular pelas vitrines e pelas redes ao longo do próximo ano. Reuni aqui o que a imprensa especializada registrou de forma consistente, com a fonte de cada informação, e o que realmente faz sentido para quem vive no calor brasileiro.
O fio condutor: leveza, por causa do calor
No balanço da temporada publicado pela Vogue Runway em 14 de outubro, assinado pela editora Laird Borrelli-Persson, a explicação para boa parte das tendências é uma só: o calor recorde do último verão no hemisfério norte. Quase todos os estilistas correram atrás de leveza — na cor, na transparência e no peso dos tecidos. A revista lembra que essa busca por peças que flutuam em volta do corpo começou um ano antes, na Chanel de Mathieu Blazy, e agora se espalhou.
Para nós, é uma boa notícia. Desta vez, a moda internacional está falando a língua de quem já vive o ano inteiro em dias quentes.
1. A saia como protagonista
Segundo a Vogue, “a temporada da saia” virou manchete depois do desfile da Prada, em Milão, que apresentou 63 variações da peça. O site Who What Wear, na cobertura da semana de Milão, conta que as saias na altura do joelho foram a base de cada look da marca e apareceram também em Ferragamo e Marni. A ideia é tratar a saia como a peça principal do look, e não como complemento.
2. Renda, transparência e tramas abertas
A Vogue registrou renda, crochê e tecidos semitransparentes que mostram e escondem ao mesmo tempo, além de tramas vazadas como o crochê e a broderie anglaise — que ventilam e trazem romantismo. Em Londres, os compradores ouvidos pelo WWD foram na mesma direção: a diretora de compras da Mytheresa, Tiffany Hsu, citou renda, franjas e acabamentos minuciosos, e o diretor de compras de moda da Harrods, Simon Longland, falou em volta do romantismo.
Como usar no Brasil: transparência pontual funciona melhor que transparência total. Uma manga de renda, uma barra bordada, uma camisa leve por cima de uma peça lisa. Fica elegante de dia e ainda ajuda a refrescar.
Renda e bordado com leveza
3. O sutiã à mostra (e a versão para o dia a dia)
A Vogue destacou que “o sutiã é a nova camiseta” virou um dos lemas da estação. O Who What Wear viu o mesmo em Milão: sutiãs aparecendo sob blusas transparentes e camisas propositalmente abertas em marcas como Tod's, Fendi e The Attico.
Conselho honesto: na passarela isso funciona; na vida real, depende muito da ocasião. A tradução mais fácil é o top cropped ou o tomara que caia bem estruturado, com uma camisa aberta por cima quando o ambiente pedir. Para o trabalho, deixe a versão mais ousada para o fim de semana.
4. Jeans com tratamento de luxo
Mesmo numa temporada de saias, o jeans se manteve — mas longe do clássico. Segundo a Vogue, ele veio bordado, tingido, revestido e enfeitado: coberto de corais na Dolce & Gabbana, com plumas e aplicações na Roberto Cavalli e cortado em viés na Balenciaga de Pierpaolo Piccioli. A mensagem é clara: o jeans deixa de ser básico e ganha acabamento de festa.
Jeans com detalhe
5. Estampas misturadas e caimento “fora do lugar”
A Vogue chamou atenção para a mistura proposital de estampas — poá com xadrez, xadrez com xadrez — na Dries Van Noten, na Alberta Ferretti e na Maison Margiela, e para um caimento intencionalmente estranho na Jil Sander, na Givenchy e na Lii, com paletós que repuxam e lapelas recortadas. Ao mesmo tempo, o Who What Wear notou em Milão o caminho oposto na alfaiataria: quase nenhum blazer oversized, peças ajustadas ao corpo e marcadas na cintura.
Ou seja, a temporada tem duas vozes. Se a mistura de estampas te assusta, escolha a alfaiataria ajustada. Se quiser arriscar na estampa, faça as duas conversarem por uma cor em comum.
6. Brilho de estrela, mas à noite
Para a noite, a Vogue registrou metalizados por toda parte, com destaque para o dourado da última coleção de Anthony Vaccarello na Saint Laurent, e plumas e strass na Erdem. O Who What Wear, em Paris, apontou a jaqueta de noite como substituta do blazer comum: brocado dourado na Saint Laurent, bordados na The Row e detalhes ornamentados na Schiaparelli.
Outras apostas da temporada
- Polos e camisas de rúgbi: a Vogue cita a Lacoste, a Gucci de Demna e a Dries Van Noten de Julian Klausner.
- Vestido babydoll e minivestido em A, com referência aos anos 1960 e a André Courrèges, também segundo a Vogue.
- Cor forte: para Simon Longland, da Harrods, ouvido pelo WWD, a cor é a tendência que vai importar nos próximos seis meses. Em Paris, o Who What Wear viu amarelo-canário, vermelho puro e azul-cobalto na Chanel, na Balenciaga e na Celine.
Como levar tudo isso para o Brasil sem virar fantasia
- Uma tendência por look. Saia protagonista ou estampa misturada ou brilho — não tudo junto.
- Tecido que respira primeiro. A leveza das passarelas é aliada do nosso calor: prefira caimento fluido e tramas abertas.
- Transparência na medida: manga, barra ou camada, não o look inteiro.
- Brilho fica para a noite. Sob o sol, metalizado e strass endurecem.
- Tendência na peça-chave, o resto em básicos de qualidade. É o que faz o look parecer escolhido, e não copiado.
Ainda em dúvida?
Fale com a nossa Personal Shopper
A Yasmin ajuda você a escolher a peça certa para a sua ocasião — sem compromisso de compra.
Falar no WhatsApp »




