Muita roupa que estraga cedo não foi mal feita: foi mal lavada. E quase sempre a resposta estava ali, costurada na lateral da peça. A etiqueta é o manual da sua roupa — e no Brasil ela segue regra. Este guia mostra o que a etiqueta precisa ter, como ler cada símbolo e como usar essa informação antes mesmo de comprar.
O que toda etiqueta precisa trazer
Quem regula a etiqueta de produtos têxteis no Brasil é o Inmetro, pela Portaria nº 118, de 11 de março de 2021, que aprova o Regulamento Técnico Mercosul sobre o assunto. Segundo a cartilha oficial do Inmetro, toda peça vendida no país precisa informar:
- Nome, razão social ou marca, e a identificação fiscal (CNPJ ou CPF) de quem fabrica, importa ou assina a peça.
- País de origem, com “Feito no(a)”, “Fabricado no(a)” ou “Indústria” seguido do país. Bandeira sozinha não vale.
- As fibras e a porcentagem de cada uma, como “67% viscose, 33% seda”.
- Os cuidados de conservação.
- O tamanho ou a dimensão.
A cartilha também determina que essas informações sejam permanentes, visíveis e em português, com letras de no mínimo 2 milímetros, e que a etiqueta não desbote nem se solte ao longo da vida útil da peça. Um detalhe que pouca gente sabe: ainda não existe norma oficial que padronize os tamanhos. Por isso um 38 de uma marca pode vestir como o 40 de outra.
A ordem dos símbolos
Os símbolos de cuidado seguem a norma NM ISO 3758:2013 e, pela regra do Inmetro, aparecem sempre na mesma sequência: lavagem, alvejamento, secagem, passadoria e cuidado profissional. Decorar essa ordem já ajuda a ler qualquer etiqueta em segundos.
1. Lavar (a tina)
- O número dentro da tina é a temperatura máxima da água, em graus.
- A mão dentro da tina indica lavagem somente à mão, com água a no máximo 40 °C.
- Um traço embaixo da tina pede ciclo suave; dois traços, ciclo muito suave, segundo a GINETEX, associação internacional de etiquetagem.
- Tina com um X: não lavar com água.
2. Alvejar (o triângulo)
- Triângulo vazio: alvejante permitido.
- Triângulo com duas linhas inclinadas: só alvejante sem cloro.
- Triângulo com X: não usar alvejante.
3. Secar (o quadrado)
O círculo dentro do quadrado é a secadora de tambor. Os pontos dentro dele mostram o calor permitido, e o X proíbe a secadora. Pela regra do Inmetro, quando a secadora é proibida, a etiqueta deve indicar a forma de secagem natural — como estendida ou no varal, à sombra.
4. Passar (o ferro)
- Um ponto: temperatura mínima, até 110 °C, e sem vapor.
- Dois pontos: temperatura média, até 150 °C.
- Três pontos: temperatura máxima, até 200 °C.
- Ferro com X: não passar.
5. Limpeza profissional (o círculo)
O círculo sozinho é assunto da lavanderia. A letra dentro dele diz qual processo o profissional pode usar: P e F são limpezas a seco com solventes diferentes, e W é a limpeza profissional a úmido. Círculo com X: não lavar a seco. E uma regra útil: se a lavagem com água for proibida, a etiqueta é obrigada a indicar a limpeza profissional permitida.
Os erros que mais estragam roupa boa
- Achar que a fibra decide tudo. A GINETEX lembra que quem define a temperatura máxima é a etiqueta, não a composição da peça.
- Cortar a etiqueta. Se incomoda, tire uma foto antes. Sem ela, você lava no escuro.
- Ignorar a peça mista. Renda, bordado e pedraria podem ter cuidado próprio, informado à parte.
- Usar secadora em tudo. Peças delicadas, como renda e veludo, muitas vezes proíbem o tambor: confira o quadrado antes.
Peças que agradecem o cuidado certo
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