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Moda no Brasil · YSMN

Etiqueta de roupa: como ler os símbolos de lavagem e o que a lei obriga

Por Yasmin Gadelha·Personal Shopper YSMN·6 min de leitura

Muita roupa que estraga cedo não foi mal feita: foi mal lavada. E quase sempre a resposta estava ali, costurada na lateral da peça. A etiqueta é o manual da sua roupa — e no Brasil ela segue regra. Este guia mostra o que a etiqueta precisa ter, como ler cada símbolo e como usar essa informação antes mesmo de comprar.

O que toda etiqueta precisa trazer

Quem regula a etiqueta de produtos têxteis no Brasil é o Inmetro, pela Portaria nº 118, de 11 de março de 2021, que aprova o Regulamento Técnico Mercosul sobre o assunto. Segundo a cartilha oficial do Inmetro, toda peça vendida no país precisa informar:

  • Nome, razão social ou marca, e a identificação fiscal (CNPJ ou CPF) de quem fabrica, importa ou assina a peça.
  • País de origem, com “Feito no(a)”, “Fabricado no(a)” ou “Indústria” seguido do país. Bandeira sozinha não vale.
  • As fibras e a porcentagem de cada uma, como “67% viscose, 33% seda”.
  • Os cuidados de conservação.
  • O tamanho ou a dimensão.

A cartilha também determina que essas informações sejam permanentes, visíveis e em português, com letras de no mínimo 2 milímetros, e que a etiqueta não desbote nem se solte ao longo da vida útil da peça. Um detalhe que pouca gente sabe: ainda não existe norma oficial que padronize os tamanhos. Por isso um 38 de uma marca pode vestir como o 40 de outra.

A ordem dos símbolos

Os símbolos de cuidado seguem a norma NM ISO 3758:2013 e, pela regra do Inmetro, aparecem sempre na mesma sequência: lavagem, alvejamento, secagem, passadoria e cuidado profissional. Decorar essa ordem já ajuda a ler qualquer etiqueta em segundos.

1. Lavar (a tina)

  • O número dentro da tina é a temperatura máxima da água, em graus.
  • A mão dentro da tina indica lavagem somente à mão, com água a no máximo 40 °C.
  • Um traço embaixo da tina pede ciclo suave; dois traços, ciclo muito suave, segundo a GINETEX, associação internacional de etiquetagem.
  • Tina com um X: não lavar com água.

2. Alvejar (o triângulo)

  • Triângulo vazio: alvejante permitido.
  • Triângulo com duas linhas inclinadas: só alvejante sem cloro.
  • Triângulo com X: não usar alvejante.

3. Secar (o quadrado)

O círculo dentro do quadrado é a secadora de tambor. Os pontos dentro dele mostram o calor permitido, e o X proíbe a secadora. Pela regra do Inmetro, quando a secadora é proibida, a etiqueta deve indicar a forma de secagem natural — como estendida ou no varal, à sombra.

4. Passar (o ferro)

  • Um ponto: temperatura mínima, até 110 °C, e sem vapor.
  • Dois pontos: temperatura média, até 150 °C.
  • Três pontos: temperatura máxima, até 200 °C.
  • Ferro com X: não passar.

5. Limpeza profissional (o círculo)

O círculo sozinho é assunto da lavanderia. A letra dentro dele diz qual processo o profissional pode usar: P e F são limpezas a seco com solventes diferentes, e W é a limpeza profissional a úmido. Círculo com X: não lavar a seco. E uma regra útil: se a lavagem com água for proibida, a etiqueta é obrigada a indicar a limpeza profissional permitida.

Os erros que mais estragam roupa boa

  • Achar que a fibra decide tudo. A GINETEX lembra que quem define a temperatura máxima é a etiqueta, não a composição da peça.
  • Cortar a etiqueta. Se incomoda, tire uma foto antes. Sem ela, você lava no escuro.
  • Ignorar a peça mista. Renda, bordado e pedraria podem ter cuidado próprio, informado à parte.
  • Usar secadora em tudo. Peças delicadas, como renda e veludo, muitas vezes proíbem o tambor: confira o quadrado antes.

Peças que agradecem o cuidado certo

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